quarta-feira, 17 de junho de 2015

Soneto Morfêico - Soneto * Antonio Cabral Filho - Rj




O soneto é uma boa camisa de força
Disponível aos espíritos lá d’antanho
Que vestem-na urgente ou vão purgar na forca
Antes mesmo das águas do primeiro banho.

- Ora! Dirão-me, nosoutros pensar em métricas
Como um desses sapos tanoeiros ilustres;
Isto já custou-nos mais que contendas tétricas
E fuzuês entre mui distintos abutres!

Certos tipos adoram devorar  os outros
Com preferência estrita pela mesma espécie,
Aliás, como ensinam costumes antropos,

Sem preocupar-se com volumes nem messe
Na gana de elevar a fama d’antropófagos
E homerizar tantos instintos morfêicos.

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